Tenho uma família bastante convencional (note-se o sarcasmo). Pais divorciados, meio-irmãos, filha de segundo casamento, na parte do meu pai família nunca presente, traições, mentiras, falta de respeito, etc.
Até alguns anos atrás eu jogava esse jogo do qual ninguém sai vencedor. Tentar lidar com a família nunca é fácil, especialmente quando tem muitas coisas se passando ao seu redor e ninguém tem tempo ou vontade de olhar pra você e realizar que você também tem problemas.
Eu sempre fui muito observadora, e usei isso para desenvolver meus mecanismos de defesa. No dia em que eu briguei com a minha então melhor amiga na sétima ou oitava série e uma das poucas vezes que decidi fazer de minha mãe confidente, recebi como resposta "e você não pensou na minha amizade com a mãe dela nem um segundo" (tendo em mente eu briguei com a minha "amiga" para defender a minha mãe). Foi aí que eu aprendi a não expor minha vida pessoal pra ninguém, já que não fazia sentido, eu só iria levar patada mesmo!
Meu pai então tentou me envenenar a vida toda contra a minha mãe (tenha em mente que meu pais se divorciaram quando eu tinha 22 ou 23 anos). Mesmo quando eles ainda estavam juntos meu pai sempre tentava fazer de conta que minha mãe era uma víbora que vivia acusando ele, o santo, de coisas terríveis. Foram vários episódios que eu não vou mencionar (hoje). Então descobri que meu pai tinha amantes em algumas cidades, fazia minha mãe fazer economia em casa enquanto ele saía pra beber, fumar e pagar pelas suas prostitutas (e tinha a coragem de me dizer que não tinha dinheiro pra pagar minha universidade, enquanto eu trabalhava o dia todo por uma ninharia que não era nem suficiente pra sobreviver). Mais uma lição aprendida: se alguém não dá a mínima pra você, ainda que seja sua família, pra que se importar com esta mesma pessoa? Resultado: cortei relações com meu pai e toda a família dele. E sabe do que mais? Não me fazem falta nenhuma, e graças a minha decisão não vão arruinar a infância do meu filho do mesmo modo que arruinaram a minha.
E as lições vão se estendendo: não confio em ninguém (minha irmã ia correndo contar pra minha mãe qualquer coisa que eu contasse pra ela), não dou satisfações a ninguém (minha melhor amiga no colégio vivia me julgando por que as minhas escolhas não eram do gosto dela), afastei-me de todas as pessoas que me fizeram mal (a lista é muito grande pra colocar aqui) e aprendi, acima de tudo, que o passado - ainda que a gente goste de olhar pra traz e reviver certas coisas - tem esse nome por que não se pode muda-lo, não se pode voltar atrás, o passado é o que é e não vai mudar.
Por mais que o passado me incomode, por mais que eu gostasse de ter mudado certas coisas, a única coisa que eu posso mudar é o futuro. Não posso me culpar por ter agido da maneira errada, pois eu não era o que sou hoje e não sabia então o que eu sei agora. Mas aprendi. Aprendi com a vida. E isso ninguém pode tirar de mim.
28 de fev. de 2012
3 de fev. de 2012
Meaningful meaningless meanings
A cada momento as coisas ficam mais confusas. Ou não. Depende do ponto de vista.
Às vezes sinto como se tivessem apagado parte do meu cérebro. Não sai absolutamente nada de lá de dentro. Me sinto como se tivesse coisas demais pra dizer em palavras que simplesmente não "acontecem".
Nem sei se dá pra entender. Ou se existe realmente algo errado na minha vida ou não. Achei que talvez um dia os questionamentos fossem cessar mas parece que não vão.
É possível estar feliz e infeliz, satisfeito e insatisfeito, tudo no mesmo instante? Não sei, mas é a única forma de expressar como me sinto.
Às vezes sinto como se tivessem apagado parte do meu cérebro. Não sai absolutamente nada de lá de dentro. Me sinto como se tivesse coisas demais pra dizer em palavras que simplesmente não "acontecem".
Nem sei se dá pra entender. Ou se existe realmente algo errado na minha vida ou não. Achei que talvez um dia os questionamentos fossem cessar mas parece que não vão.
É possível estar feliz e infeliz, satisfeito e insatisfeito, tudo no mesmo instante? Não sei, mas é a única forma de expressar como me sinto.
4 de jan. de 2012
Querido Diário...
É estranho como eu me pego pensando em pessoas de quem eu não me lembrava há anos no meio da noite, quando bate a insônia.
Noite passada foi Maycon. "Conheci" Maycon na internet já faz alguns anos. O "conheci" fica entre aspas porque na verdade eu estudei no mesmo colégio que ele no ensino médio, estávamos apenas em classes diferentes. No colégio nunca tínhamos sequer nos cumprimentado, apenas o conhecia de vista, já que era namorado de uma amiga de uma amiga minha (é, era bem essa a relação). Na época nem imaginava que ele sequer tivesse me notado.
Maycon tinha uma reputação: era o que se chamava no sul de "jaguara". Era também um dos maiorais na escola, por mais que fosse um cafajeste as meninas estavam todas aos seus pés.
Uns três ou quatro anos se passaram e (eu sei, é patetico) encontrei ele numa sala de bate papo.
Conversa vai, conversa vem, descobrimos que tínhamos estudado no mesmo colégio e decidimos marcar um encontro. Quando nos vimos eu o reconheci de cara e para minha surpresa ele também me reconheceu. O que me chamou a atenção foi o que veio à sua cabeça assim que ele me viu: "Você era a namorada do Johnny na escola, não era? A gente não era autorizado a chegar nem perto de você, nem mesmo quando vocês se separaram" ("se separaram" era o seu jeito de ser delicado, já que na verdade, Johnny me deu um pé na bunda).
Quando eu terminei com meu ultimo ex, Ricardo (o outro), Maycon foi o primeiro homem que me fez sentir desejada (não amada, porque com ele tudo era carnal e eu não tinha nenhuma ilusão do contrário). Eu sempre fui muito comedida, não me abria com ninguém, não me entregava a ninguém, mas ali estava eu um dia, com Maycon, fazendo ele se sentir desconfortável porque eu não conseguia tirar as mãos dele. Não sei o que deu em mim, eu sempre fui absurdamente introvertida, e lá estava eu, acabrunhando o maior galinha que eu conhecia.
E sabe do que mais? Eu me senti bem.
Talvez seja isso que falta: sentir, deixar os sentimentos tomarem conta (pelo menos de vez em quando) e fazer o que der na telha. Eu sei que eu deixei de fazer isso quando era mais nova e me arrependo de não ter feito uma imensidão de coisas. E agora, vem o sentimento que já é tarde demais.
E além disso tudo, fui dormir pensando em Johnny. De novo...
Noite passada foi Maycon. "Conheci" Maycon na internet já faz alguns anos. O "conheci" fica entre aspas porque na verdade eu estudei no mesmo colégio que ele no ensino médio, estávamos apenas em classes diferentes. No colégio nunca tínhamos sequer nos cumprimentado, apenas o conhecia de vista, já que era namorado de uma amiga de uma amiga minha (é, era bem essa a relação). Na época nem imaginava que ele sequer tivesse me notado.
Maycon tinha uma reputação: era o que se chamava no sul de "jaguara". Era também um dos maiorais na escola, por mais que fosse um cafajeste as meninas estavam todas aos seus pés.
Uns três ou quatro anos se passaram e (eu sei, é patetico) encontrei ele numa sala de bate papo.
Conversa vai, conversa vem, descobrimos que tínhamos estudado no mesmo colégio e decidimos marcar um encontro. Quando nos vimos eu o reconheci de cara e para minha surpresa ele também me reconheceu. O que me chamou a atenção foi o que veio à sua cabeça assim que ele me viu: "Você era a namorada do Johnny na escola, não era? A gente não era autorizado a chegar nem perto de você, nem mesmo quando vocês se separaram" ("se separaram" era o seu jeito de ser delicado, já que na verdade, Johnny me deu um pé na bunda).
Quando eu terminei com meu ultimo ex, Ricardo (o outro), Maycon foi o primeiro homem que me fez sentir desejada (não amada, porque com ele tudo era carnal e eu não tinha nenhuma ilusão do contrário). Eu sempre fui muito comedida, não me abria com ninguém, não me entregava a ninguém, mas ali estava eu um dia, com Maycon, fazendo ele se sentir desconfortável porque eu não conseguia tirar as mãos dele. Não sei o que deu em mim, eu sempre fui absurdamente introvertida, e lá estava eu, acabrunhando o maior galinha que eu conhecia.
E sabe do que mais? Eu me senti bem.
Talvez seja isso que falta: sentir, deixar os sentimentos tomarem conta (pelo menos de vez em quando) e fazer o que der na telha. Eu sei que eu deixei de fazer isso quando era mais nova e me arrependo de não ter feito uma imensidão de coisas. E agora, vem o sentimento que já é tarde demais.
E além disso tudo, fui dormir pensando em Johnny. De novo...
4 de dez. de 2011
28 de nov. de 2011
Medos
Estou lendo um livro bem interessante. Chama-se "Moonwalking with Einstein: The Art and Science of Remembering Everything", por Joshua Foer.
Há umas coisas bem interessantes nele. Argumenta-se no círculo científico que nosso cérebro na verdade funciona mais ou menos como um gravador. Nós retemos permanentemente cerca de 90% de tudo o que vemos, sentimos e pensamos, ainda que não consigamos acessar a maioria dessas lembranças. Mas muitas dessas lembranças só nos voltam a memória quando e se recebermos um estímulo para isso.
Foi aí que eu me peguei pensando nos meus últimos posts e o que a minha nova descoberta significa. Ainda estou explorando todas as possibilidades, mas o que aprendi sobre mim mesma é que eu não consigo controlar os meus medos, pois eles sempre estão ali me fazendo lembrar dos meus erros e fracassos, e me impedindo de ir em frente por medo de cometer os mesmos erros.
Sou apenas mais um caranguejo, andando de lado.
Há umas coisas bem interessantes nele. Argumenta-se no círculo científico que nosso cérebro na verdade funciona mais ou menos como um gravador. Nós retemos permanentemente cerca de 90% de tudo o que vemos, sentimos e pensamos, ainda que não consigamos acessar a maioria dessas lembranças. Mas muitas dessas lembranças só nos voltam a memória quando e se recebermos um estímulo para isso.
Foi aí que eu me peguei pensando nos meus últimos posts e o que a minha nova descoberta significa. Ainda estou explorando todas as possibilidades, mas o que aprendi sobre mim mesma é que eu não consigo controlar os meus medos, pois eles sempre estão ali me fazendo lembrar dos meus erros e fracassos, e me impedindo de ir em frente por medo de cometer os mesmos erros.
Sou apenas mais um caranguejo, andando de lado.
25 de nov. de 2011
Sedentarismo
Sentada na frente da TV, hoje à noite constatei um fato: estou ficando cada dia mais sedentaria. Não somente no aspecto físico, mas especialmente no intelectual. Minha memória não é mais a mesma, pensamentos ficam na maioria das vezes sem conclusão, não consigo me focar em nada. Estou ficando mais medíocre a cada minuto que passa.
E sempre encontro novas desculpas: trabalho, dinheiro, filho, marido. Mas o problema sou eu. Sou eu que ao invés de sentar e terminar de ler aqueles 500 livros que eu me propus a ler, sento aqui na frente do PC literalmente gastando meu tempo com coisas banais, que me distraem por alguns minutos mas provocam um vazio ainda maior.
E sempre encontro novas desculpas: trabalho, dinheiro, filho, marido. Mas o problema sou eu. Sou eu que ao invés de sentar e terminar de ler aqueles 500 livros que eu me propus a ler, sento aqui na frente do PC literalmente gastando meu tempo com coisas banais, que me distraem por alguns minutos mas provocam um vazio ainda maior.
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