Já fazem cerca de dois meses que eu venho fazendo um verdadeiro e genuíno esforço em controlar a minha depressão. Pelo menos as crises suicidas e o constante derramamento de lágrimas já não ocorrem graças à medicação, o que não quer dizer que eu me sinta feliz, só sinto o vazio.
Não é que a depressão seja algo novo, até mesmo no melhor dos dias é da minha natureza ser um tanto melancólica e pessimista, o que geralmente me faz sentir como se tudo na minha vida esteja errado. Talvez esteja, talvez não, o fato é que isso me provoca um sentimento de arrependimento a respeito das coisas que eu quis fazer quando eu pude fazê-las mas que não fiz porque martelaram na minha cabeça desde criança que eu devia ser responsável e prudente. E agora eu me sinto como se eu estivesse vazia, remoendo as coisas que não fiz e imaginando o que poderia ter acontecido se eu tivesse tido a coragem de quebrar as regras de vez em quando.
Eu me encontro nesse paradoxo: sou feliz mas não sou feliz. Tenho marido e filho maravilhosos, os quais eu amo incondicionalmente e o sentimento é recíproco, mas algo dentro de mim vive me dizendo que essa pessoa não sou eu e por esse motivo eu não consigo apreciar as coisas boas que me acontecem agora.
No meio de uma conversa com a minha mãe a respeito do meu filho, que tem um grande aspecto de liderança em meio a outras crianças da mesma idade, minha mãe me contou que quando eu comecei a estudar a minha professora disse à ela que eu tinha um perfil de líder, coisa que pra mim não faz sentido hoje. Eu sou paranóica, introvertida, extremamente sarcástica, depressiva, provavelmente bipolar, e tenho tendência a me denegrir. Em alguma etapa da minha vida algo aconteceu que mudou tudo e me transformou; eu me tornei o que eu sou hoje... e eu não sei quem sou.
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